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O Batismo no Espírito Santo

O Batismo no Espírito Santo

A doutrina do batismo no (com) o Espírito Santo é uma das pedras basilares da doutrina pentecostal, por vários séculos; pois, está provado que, o batismo no (com) o Espírito Santo, além de ser prático e experimental é também bibliocêntrico. A evidência física inicial do precioso batismo no Espírito Santo são as línguas estranhas sobrenaturais conforme o Espírito Santo concede (At 2.4; Mc 16.17), pela instrumentalidade do Senhor Jesus, para o ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiente serviço para Deus (Lc 24.49; At 1.8; 10.46; 1Co 14.15,26). A expressão é ainda conhecida como “revestimento de poder”, “ser cheio do Espírito”, etc.

At 2.4; Mc 16.17

 

 

Em Jl 2.28,29, temos um dos sinais prenunciados pelo profeta, alusivo ao fim dos tempos para judeus e gentios, trata do derramamento do Espírito Santo em grande profusão sobre a terra. Vejamos o que diz o texto de Jl 2.28,29: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito”.

Desde que esta profecia fora anunciada, após mais de quinhentos anos surge nas campinas verdejantes da Judéia, e pelas margens úmidas do Jordão, o último profeta do Antigo Testamento João Batista, o precursor do Salvador, anunciando: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”, Mt 3.11. Também em Lc 3.16 está escrito: “respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias; este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”.

Não tardou, até que o nosso Senhor Jesus Cristo apareceu, para ser batizado pelo seu precursor nas aguas do rio Jordão, depois, o Senhor Jesus inicia o seu ministério na força do Espírito Santo, (Mt 3.16; Lc 4.18,19; At 10.38), e no desenvolver do seu ministério, aos seus discípulos, falou sobre a obra do Espírito Santo, começando com o novo nascimento, (Jo 3.5,7), seguindo-se o batismo no Espírito. Ele próprio disse quando de sua estada numa festa dos judeus em Jerusalém:

“Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios d’água viva correrão do seu ventre”.

Acrescenta o apóstolo João:

“E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por Jesus ainda não ter sido glorificado”, Jo 7.38,39.

Após ressuscitar, numas de suas aparições aos seus discípulos disse: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai, ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”, Lc 24.49, noutro lugar, antes de subir ao Pai, diante dos seus discípulos, outra vez disse:

“Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias... Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”, At 1.5,8.

Após ter dito isto, foi Jesus elevado ao Céu, e, já à mão direita do Pai, cumpre o que prometeu a seus discípulos. Escreve Lucas o evangelista:

E, cumprindo-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem”, At 2.1-4.

Enquanto os irmãos reunidos no cenáculo estão desfrutando do derramamento do Espírito Santo, a multidão atônita diante do Cenáculo, divide-se em dois grupos distintos. O primeiro grupo, moderadamente, indaga: “Que quer isto dizer?”, enquanto o outro grupo, mais precipitadamente, afirma: “Estão embriagados!” A estes o Apóstolo Pedro responde: “Estes homens não estão embriagados, como vós pensais. Mais isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão; os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas naqueles dias, e profetizarão”, At 2.15-18.

O escritor do livro de Atos, o Dr. Lucas, continua com a sua narração, e diz que os que compunham aquela grande multidão, ouvindo a explicação que o apóstolo Pedro transmitirá, “compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”, At 2.37-39.

Os anos e os séculos vão se escoando e o momento do arrebatamento da Igreja se aproximando, enquanto milhões de pentecostais, espalhados por todos os continentes, estão confirmando que estas palavras do apóstolo Pedro, ditas na manhã do Pentecoste, cumpriram-se em suas vidas. Elas ainda hoje se cumprem na vida daqueles que buscam o Espírito Santo em maior medida.

 

IDEIAS ERRÔNEAS DO BATISMO “NO” ESPÍRITO SANTO

Muitos crentes não têm recebido o batismo com o Espírito Santo por não entenderem claramente a doutrina do batismo com o Espírito Santo. Vejamos algumas das concepções erradas sobre o Batismo no Espírito Santo:

 

A Ideia Errônea de Que o Batismo “no” Espírito Santo é o Mesmo Que Salvação.

O batismo no (com) Espírito Santo não é a salvação do pecador. A salvação é a regeneração do homem interior, é uma milagrosa transformação que que Deus efetua na vida da pessoa que, pela fé, recebe a Jesus Cristo como seu Salvador. Sua origem está na graça de Deus (Rm 3.24; Tt 2.11). Seu fundamento é o sangue de Jesus Cristo (Rm 3.25; 1Jo 2.2). Seu meio de recepção ou apropriação é a nossa fé em Cristo Jesus (At 16.31; Ef 2.8). O Batismo no Espírito Santo é um “revestimento de poder” divino sobre o crente que o recebe. Revestir é para quem já está vestido de poder.

A Palavra de Deus nos mostra que os irmãos e irmãs que foram batizados no (com) Espírito Santo no dia de Pentecostes já eram salvos, e já tinham o Espírito Santo, Jo 20.21,22. Na conversão, o Espírito opera comunicando-nos nova vida em Cristo. No batismo com o Espírito Santo, o Espírito opera comunicando-nos poder (At 1.8).

O batismo com o Espírito Santo produz no crente um maior apego à comunhão com Deus, à oração, à adoração, à Palavra de Deus. O batismo com o Espírito Santo sempre é evidenciado fisicamente pelas línguas estranhas sobrenaturais, as quais são uma fonte sobrenatural de edificação individual (1Co 14.4,14,15).

 

A Ideia Errônea de Que o Batismo “no” Espírito Santo é Habitação Interior do Espírito no Crente.

Alguns irmãos acham que o batismo no Espírito Santo é a habitação interior do Espírito no crente, porém, não é. Na habitação, o Espírito Santo passa a morar dentro convertido que aceitou a Jesus como seu Salvador, ou seja, o Espírito Santo está dentro; já no batismo com Espírito Santo, o Senhor Jesus imerge o convertido no Espírito Santo, Ele o reveste de poder enchendo em plenitude, Lc 24.49; At 1.8. No dia de pentecostes os irmão e irmãs que estavam ali reunidos esperando a promessa do Pai, já tinham o Espírito Santo morando dentro deles (Jo 20.21,22). O batismo no Espírito Santo é uma experiência indizível; indescritível; por isso, cada filho e filha de Deus devem usufruir desta experiência!

 

A Ideia Errônea de Que o Batismo “no” Espírito Santo é a Santificação do Crente.

Outros irmãos acham que o batismo no Espírito santo é a santificação do crente, na verdade, o Espírito Santo, como o próprio nome já diz, leva-nos a viver uma vida de santificação. Todavia, o batismo com o Espírito Santo não é a santificação do crente. Porém, o crente que é batizado no Espírito Santo tem uma vida intensa de santificação para com Deus.

Temos a santificação posicional que é, a um só tempo, instantânea e completa, no momento do milagre da regeneração no homem, ou seja, é a nossa santificação objetiva, “em Cristo” (Hb 10.10). O batismo no Espírito Santo também não é a santificação subjetiva e progressiva na vida diária do crente neste mundo (Hb 10.14). A Palavra literalmente aqui diz: “os que estão sendo santificados”, como na Versão ARA.

A santificação subjetiva e progressiva é temporal, vivencial. É a santificação experimental, ou seja, na experiência humana, no dia-a-dia do crente (1Ts 5.23; Hb 13.12, “para santificar o seu povo”). É quando a santificação preparada por Cristo é posta em prática pela maneira de viver do crente.

 

O BATISMO “NO” ESPÍRITO SANTO AINDA É PARA HOJE?

Evidentemente que sim. Para cada negativa que os antipentecostais venham a apresentar quanto a isso, a Bíblia tem grande número de passagens que ratificam o ensino de que o batismo com o Espírito Santo é para os crentes dos nossos dias.

O batismo no Espírito Santo não é uma bênção exclusiva de grupos pentecostais ou carismáticos, como alguns têm defendido e ensinado, “porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39). A universalidade da promessa do batismo com o Espírito Santo é aqui reiterada, enriquecida e aprofundada para outras pessoas que ainda "estavam longe".

A promessa do Pai, feita a Jesus, cobriria o tempo e o espaço. Ela “diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” At 2.39. Estas palavras, proferidas pelo apóstolo Pedro no dia de Pentecoste, mostram a abrangência da promessa:

 

  1. O batismo com o Espírito Santo seria para a geração dos primórdios da Igreja ("... a vós").
  2. O batismo com o Espírito Santo seria também para a geração de crentes e pregadores que viria depois ("... a vossos filhos").
  3. O batismo com o Espírito Santo seria também outorgado aos que estavam distantes, geográfica e cronologicamente ("... a todos os que estão longe").
  4. O batismo com o Espírito Santo poderia ser desfrutado por todos os que cressem e o buscassem ("... a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar").

 

Idêntica promessa faz Jesus, em Mc 16.17, quando se despede dos discípulos: “Estes sinais seguirão aos que crerem... falarão novas línguas”. Esta gloriosa promessa foi imediatamente cumprida no dia de Pentecoste (At 2.1-4) e pelos séculos que se seguiram. Até hoje, homens e mulheres de todas as nacionalidades têm experimentado e testemunhado a mesma coisa.

Jesus continua batizando com o Espírito Santo em todas as partes do mundo onde sua vontade é aceita. Ele "é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Hb 13.8); e, de igual modo, "o Espírito é o mesmo" (1Co 12.4,8,9,11).

 

AS LÍNGUAS ESTRANHAS

A vinda do Espírito Santo em caráter permanente na terra foi apoteótica. Viram “línguas repartidas como que de fogo” e ouviram o “som de um vento veemente e impetuoso, que encheu toda a casa em que estavam assentados” (At 2.2). Já, nas pessoas, o sinal foi fónico: “Todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2.4).

Era necessário que algo diferente, peculiar, confirmasse a chegada de alguém tão especial como o Espírito Santo prometido. Depois de reunirem-se por alguns dias, aguardando por Ele, em obediência à instrução dada por Jesus - “Ficai, pois, em Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49), como poderiam saber que aquele dia chegara, se não fosse marcado por algo novo, diferente e desconhecido?

As línguas de fogo e o vento foram sinais que não se repetiram, mas as línguas sim, porque elas se tornaram evidência do recebimento do Espírito Santo em forma de batismo. O texto que narra aquele acontecimento é didático também em anunciar a repetição da glossolalia: “E começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2.4).

Em um relato jornalístico, o mais simples e lógico seria dizer: “falaram línguas”. No entanto, o verbo “começar”, aqui, faz toda a diferença, porque implica haver, necessariamente, uma continuação, e é o que constatamos em outras leituras do livro de Atos dos Apóstolos (At 8.12-19; 9.17,18; 10.44-48; 19.2-6). Antes do Pentecostes, o Espírito Santo já havia descido sobre várias pessoas, como João Batista, Lc 1.47, Isabel, Lc 1.41, Zacarias, Lc 1.67 e Simeão, Lc 2.52. No entanto, não há nenhum registro de que alguns desses personagens hajam falado em línguas estranhas.

Em Mc 16.17 temos a primeira alusão ao falar em línguas estranhas nas palavras de Jesus Cristo: “Estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome... falarão novas línguas”.

Depois, quando lemos sobre línguas estranhas, é já a manifestação delas entre os quase cento e vinte discípulos no dia de Pentecoste, em Jerusalém (At 2.4); na casa do centurião Cornélio, em Cesaréia (At 10.44-46); em Éfeso quando os doze discípulos de João foram batizados com o Espírito Santo (At 19.6,9); e, provavelmente, entre os crentes samaritanos quando da estada de Pedro e João em Samaria: At 8.17-19.

Em todos esses casos, as línguas (glossolalia) foram manifestas como evidência do batismo com o Espírito Santo. Depois ainda lemos em 1Co 14 sobre línguas, já não como evidência do batismo com o Espírito Santo, mas como um dom do Espírito Santo.

Por meio das línguas estranhas, o crente edifica-se a si mesmo, espiritualmente (1Co 14.4). Línguas da parte do Espírito é o único dos dons, do qual está escrito que edifica o seu portador. Os demais dons edificam a igreja. Daí o apóstolo Paulo tanto falar em línguas em suas devoções pessoais diante de Deus (1Co 14.18). Leia também o versículo 39.

As línguas são apresentadas na Bíblia como um meio de o crente falar a Deus. Isto é, falar “a” Deus na dimensão do Espírito Santo, “em linha direta” (1Co 14.2). Também em línguas, pelo Espírito, “falar das maravilhas de Deus” (At 2.11). Elas também são um meio de o crente, em seu espírito, orar a Deus, e também interceder, na dimensão do Espírito Santo (1Co 14.14,15; Rm 8.26; Ef 6.18; Jd v.20).

Por meio das línguas, o crente louva e adora a Deus, inclusive cantando, dando graças a Deus (1Co 14.15-17; Ef 5.19), falando de suas grandezas e magnificando a Deus (At 2.11; 10.46). De acordo com 1Co 14.21,22, as línguas são também um “sinal” para os descrentes: “sinal para os infiéis”. Leia também Is 28.11.

Existe o dom de línguas, e o dom de variedades de línguas. O dom de variedade de línguas, deve ser acompanhado do dom de interpretação das línguas, se não houver interpretação pelo dom de variedades de línguas, o mesmo deve se calar, ou seja, todo crente que é batizado no Espírito Santo fala em línguas, mas nem todos tem o dom de variedade de línguas, que precisa do dom de interpretação de língua, (1Co 12.10,28,30; 14.5,13,26-28).

 

AS LÍNGUAS ESTRANHAS COMO EVIDENCIA INICIAL EM AT

  • O Espírito Santo no Dia de Pentecostes

No dia de Pentecoste, o derramamento do Espírito Santo foi acompanhado por um sinal externo bem evidente e audível, “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”, At 2.3,4. Portanto conforme o dia de pentecoste, o falar em línguas estranhas é a evidência inicial e física de que o crente foi batizado com o Espírito Santo.

Foi um dia modelo para a Igreja e continua sendo. É que nesse dia aprouve a Deus, por intercessão de Cristo, enviar o Espírito Santo. Como resultado da nova experiência, Pedro pregou o evangelho com unção e autoridade divina e cerca de três mil almas renderam-se a Cristo, At 2.14-41.

 

  • O Espírito Santo em Samaria

“Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João, os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo. (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.) Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo” (At 8.14-18).

 

Os capítulos 10 e 11 de Atos narram a história de Cornélio, um centurião romano que levava uma vida piedosa, mas que ainda não conhecia o Senhor Jesus. Depois de ter uma visão em que lhe apareceu um anjo, orientando-o a mandar chamar um pregador de nome Simão, que se encontrava na cidade de Jope, Cornélio imediatamente enviou dois criados e um soldado em busca daquele homem, segundo as instruções que recebera.

Quando chegaram, encontraram Pedro já preparado para segui-los, porque ele também tivera uma visão em que era orientado a acompanhar os três homens que o procurariam e também para quebrar um preconceito contra os gentios, já que Cornélio era um destes (At 10.9-23).

Chegando a Cesaréia, na casa de Cornélio, Pedro encontrou um ambiente preparado para recebê-lo. Estavam presentes Cornélio, seus parentes e amigos mais íntimos (At 10.24). Pedro começou sua fala, justificando a razão pela qual aceitou o convite para estar ali e, em seguida, começou a falar de Jesus, de Sua morte e ressurreição, quando o Espírito Santo caiu sobre os presentes: “E dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra (...). Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus”, (At 10.44,46).

Portanto, do mesmo modo como aconteceu no dia de Pentecostes, quando “começarama falar noutras línguas, assim aconteceu na casa de Cornélio. “(...) Porque os ouviam falar em línguas (...)”. Houve uma evidência para corroborar a dádiva recebida.

 

 

  • O Espírito Santo em Éfeso

O apóstolo Paulo chegou à cidade de Éfeso, onde encontrou 12 discípulos deixados por Apolo. Para saber por onde começar, o apóstolo fez uma avaliação de compreensão da fé à qual aqueles irmãos haviam chegado. Para sua surpresa, estavam muito aquém do esperado: “Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João” (At 19.2,3).

Paulo falava a respeito do batismo com o Espírito Santo; porém eles, na sua ignorância, responderam por aquilo em que haviam sido instruídos, no caso, o batismo pregado por João Batista: um batismo que nada tem a ver com batismo cristão em águas. A razão disso é que Apolo, o primeiro líder daquele grupo, era ainda novato na fé e pouco sabia sobre a doutrina de Cristo, tendo de ser depois instruído pelo casal Priscila e Áquila (At 18.26).

O apóstolo Paulo instruiu-os quanto ao batismo nas águas, mostrando a diferença que há entre o batismo de João Batista e o batismo de Jesus (At 19.4,5). Em seguida, impôs sobre eles as mãos, para que recebessem o Espírito Santo: “E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam em línguas e profetizavam” (At 19.6).

Mais uma vez, lê-se que uma evidência sobrenatural veio como sinal para confirmar o recebimento do Espírito Santo. Fica claro e registrado o testemunho de que, tanto em Cesaréia, como em Éfeso, em ambos os casos, falaram em línguas como evidencia do batismo com Espírito Santo, assim que receberam o Espírito Santo.

O Dr. D. D. Whedom declara: “Temos em Samaria, como em Cesaréia e em Éfeso, um Pentecoste em miniatura, no qual parece ter lugar uma nova inauguração, pela repetição da mesma efusão carismática”. Para nós, porém, isso não somente significa uma “nova inauguração”, mas uma “continuação” da promessa de Deus a seu Filho.

No livro de Atos, o evangelista Lucas registra quatro fatos históricos importantes sobre o Batismo “com” (no) o Espírito Santo, (isto é, em Jerusalém, Samaria, Cesaréia e Éfeso) que tiveram como resultado imediato e evidência externa o falar em línguas (At 2.3,4; 8.17,18; 10.44-46; 19.6).

 

DIFERENÇA ENTRE O BATISMO “COM” (NO) E O BATISMO “PELO” (DO) ESPÍRITO SANTO.

Ao folheamos as páginas sagradas do Novo Testamento, especificamente no livro de Atos e nas cartas Paulinas, perceberemos que o batismo “no” (com) Espírito Santo é um revestimento e derramamento de poder do Alto, com a evidência física inicial de línguas estranhas, conforme o Espírito Santo concede, pela instrumentalidade do Senhor Jesus, para o ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiente serviço para Deus (Lc 24.49; At 1.8; 10.46; 1Co 14.15,26).

Já o batismo “do” (pelo) Espírito Santo, como vemos em 1Co 12.13, Gl 3.27 e Ef 4.5, trata-se de um batismo figurado, apesar de ser real. Todos aqueles que experimentam o novo nascimento, que é também efetuado pelo Espírito Santo (Jo 3.5), são por Ele imersos, batizados, feitos participantes do corpo místico de Cristo, que é a sua Igreja, no sentido universal (Hb 12.23; 1Co 12.12).

Certas denominações, por desconhecerem ou rejeitarem o batismo no (com) Espírito Santo conforme Atos 1.5 e 2.4, confundem-no com o batismo pelo (do) Espírito Santo. A evidência física inicial do precioso batismo com o Espírito são as línguas estranhas sobrenaturais conforme o Espírito conceder (At 2.4; Mc 16.17).

Embora o batismo seja um dom, uma dádiva de Deus para seus filhos (At 2.38,29), ele precede os dons espirituais mencionados nas epístolas, principalmente em 1Co 12.1-11. Jesus empregou o termo “batismo” ao referir-se ao ato do batismo com o Espírito Santo (At 1.5; 11.16). João o Batista, precursor de Jesus, homem cheio do Espírito, também se referiu ao batismo com o Espírito mediante o termo “batismo” (Mt 3.11; Mc 1.8).

Para que haja uma compreensão melhor da diferencia entre o Batismo “com” (no) Espírito Santo e o Batismo “pelo” (do) Espírito Santo, é preciso entender que, em todo batismo tem que haver três condições para que o mesmo seja realizado: o candidato a ser batizado, o batizador e o elemento em que o candidato vai ser imerso. Portanto, no batismo “com” o Espírito Santo, o candidato é o crente; o batizador é o Senhor Jesus; e o elemento ou meio em que o candidato é imerso é o Espírito Santo.

Já no batismo “pelo” (do) Espírito Santo, o batizador é o Espírito de Deus (1Co 12.13); o batizando é o novo convertido; e o elemento em que o recém-convertido é imerso, é a Igreja, como corpo místico de Cristo (1Co 12.27; Ef 1.22,23).

Assim, o Espírito Santo realiza esse batismo espiritual no momento da nossa conversão, inserindo o crente na Igreja (Mt 16.18). Logo, todos os salvos em Cristo Jesus são batizados “pelo” (do) Espírito Santo para pertencerem ao corpo de Cristo — a Igreja, mas nem todos os salvos em Jesus são batizados “com” (no) Espírito Santo, que é o revestimento e derramamento de poder do Alto, que tem com evidência externa o falar em línguas.

QUAL A FINALIDADE DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

O glorioso revestimento de poder pelo batismo com (no) o Espírito Santo tem várias finalidades e aplicações:

 

  1. Traz ao Crente um Revestimento de Poder Sobrenatural.

Jesus prometeu: "Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" (Lc 24.49).

  1. Faz do Crente uma Testemunha Poderosa do Evangelho:

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

  1. Traz aos Crentes uma Espécie de “Unção Universal” Entre os Filhos de Deus, Unindo-Os em um só Corpo.

Paulo afirma: “Há um só corpo e um só Espírito” (Ef 4.4). A operação miraculosa do Espírito Santo na vida da Igreja derruba todas as barreiras e preconceitos nacionalistas.

 

O batismo no Espírito Santo solucionou problemas que surgiram na vida dos apóstolos com a morte de Jesus:

 

  1. O medo que se havia apoderado deles, a ponto de evitarem o público e ficarem atrás de portas fechadas (Jo 20.19,26), desapareceu.
  2. A fraqueza que se apoderara deles também desapareceu. Receberam uma coragem maravilhosa para resistir às perseguições e proibições que encontraram (At 4.16-21,33; 5.29-33,41,42).
  3. A inatividade em que se achavam, desde a morte de Jesus, acabou. O Espírito Santo os impulsionou de modo irresistível a evangelizar. Não cessavam mais (At 4.33; 5.42).

 

A Palavra do Senhor nos mostra que a experiência do batismo no Espírito Santo era absolutamente comum no meio dos crentes no período apostólico, e que, não era raridade que alguém fosse batizado. No livro de Atos, podemos observar que em todas as ocasiões em que se fala sobre o recebimento do batismo no Espírito Santo, sempre se diz que todos o receberam (At 2.4; 8.14-17; 9.17; 10.41-46 e 19.1-6).

Pelo exposto fica evidente que o plano de Deus é que todos os crentes recebam o batismo no Espírito Santo, pois Ele prometeu essa bênção a “tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39). Quando Jesus ensinou sobre o recebimento dessa bênção usou uma parábola. Disse que, assim como um pai dá pão para o seu filho, assim também dará “o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem” (Lc 11.13). Essa bênção é tão necessária como o pão! Não pode haver dúvidas sobre a vontade de Deus de nos dar o batismo no Espírito Santo.

O batismo no Espírito Santo é a maior necessidade do Cristianismo atual. A maior necessidade de cada homem do mundo é receber Jesus como o seu Salvador. Mas a maior necessidade de cada crente é receber o batismo no Espírito Santo e viver nesse poder. E essa bênção pertence a todos os crentes, em todos os tempos.

A Bíblia diz: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39). Se no tempo dos apóstolos havia necessidade de receber poder, hoje mais do nunca a igreja precisa receber desse poder, pois a situação não mudou em nada, vejamos:

 

  1. A bênção é para todos, pois a Palavra de Deus não mudou! As promessas de Deus são válidas para todos os tempos, sejam promessas de salvação, de perdão ou de resposta às orações.
  2. O batismo no Espírito Santo é para todos, pois os homens de hoje são iguais aos daquele tempo. As suas necessidades, fraquezas e problemas são iguais.
  1. Essa bênção é necessária, pois o poder do maligno também não mudou, nem ficou brando. Pelo contrário, a Bíblia diz que nos últimos dias o Inimigo terá “grande ira, sabendo que já tem pouco tempo” (Ap 12.12). Nos tempos do fim, o poder das doutrinas dos demônios aumentará (1Tm 4.1).
  1. Precisamos desse poder hoje, pois os Atos dos Apóstolos e toda a história da Igreja afirmam que onde quer que o Espírito Santo tenha sido derramado, aí tem se manifestado despertamento para salvação de muitas almas. É essa necessidade que predomina no nosso tempo. E por isso que a única solução para hoje é ser cheio do Espírito Santo.

 

Em Rm 6.2-4, Paulo revela que todos nós fomos batizados na morte de Cristo e sepultados com ele pelo batismo na morte, e que através de sua ressurreição andamos em "novidade de vida". E reafirma, em 1Co 12.13 “Pois todos nós fomos batizados em um mesmo Espírito, formando um corpo...”.

Este batismo é uma ação poderosa que produz a união entre todos os homens, formando assim “um só corpo”, quer sejam judeus, gregos, servos ou livres.

Antes desta operação gloriosa do Espírito, os homens eram classificados por raças e categorias: bárbaros, pecadores, publicanos, meretrizes, judeus, gregos, romanos, saduceus, fariseus, herodianos, citas, samaritanos, da circuncisão, incircuncisos, escravos, livres etc.

O Espírito Santo, através desta “imersão” purificadora, torna o Cristianismo superior a qualquer filosofia ou religião que separe as pessoas por nacionalismo ou tradição secular.

 

COMO RECEBER O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

O recebimento do batismo com o Espírito Santo não está vinculado a mérito, pois é dom de Deus, At 10.45; nem a métodos, pois o Espírito Santo opera como o vento, que sempre toma direções diferentes, Jo 3.8; nem a datas, pois Jesus é soberano e batiza quando lhe apraz; nem a locais, pois Ele batiza onde quer; nem a posturas corporais, pois o que vale é posição do coração, Jr 29.13; Jo 7.38. A promessa do batismo no Espírito Santo é para todos, At 2.39. Vejamos as condições para recebê-lo:

 

  1. Arrependimento, At 2.38. Voltando-se para Deus, em uma mudança radical de atitude.
  2. Obediência e fé, At 5.32; Jo 11.40. Pela qual o Senhor derrama seu Espírito sobre “servos” e “servas”, At 2.18.
  3. Busca ardente, com perseverança, Lc 11.9-13; Mt 7.7; Lc 24.49.

 

A luz da Palavra de Deus, o batismo com o Espírito Santo é para pessoas de qualquer nação ou “toda carne” (At 2.17); de ambos os sexos ou “filhos e filhas” (At 2.17); de qualquer idade ou “vossos mancebos e vossos velhos” (At 2.17); de qualquer camada social ou “os meus servos e as minhas servas” (At 2.18).

Enfim, o batismo no Espírito Santo é para os judeus, o povo escolhido por Deus (At 1.13,14); os samaritanos, o povo misto e menosprezado (At 8.17); os romanos, o povo tido como autossuficiente (At 10.44-46); os gregos, povos gentílicos (At 19.6); e para os anônimos e desconhecidos, dos quase 120 irmãos batizados com o Espírito Santo no dia de Pentecostes, somente doze deles são mencionados por nome (At LI3-15). Os demais não são nominados.

O batismo com o Espírito Santo é para quem já é salvo. Os discípulos, ao serem batizados no dia de Pentecostes, já tinham os seus nomes escritos no céu (Lc 10.20); já eram limpos diante de Deus (Jo 15.3); já tinham em si vida espiritual, assim como o galho da videira está unido ao seu tronco (Jo 15.4,5,16); já tinham sido por Cristo enviados para o seu trabalho, dotados de poder divino (Mt 10.1; Lc 9.1,2; 10.19).

A Palavra de Deus mostra-nos que o batismo no Espírito santo também é chamado de “a promessa do Pai” (Lc 24.49; At 1.4; 2.16,32,33). E somente pela fé em Cristo Jesus, que recebemos o batismo (G13.14). Não é por mérito, haja vista ser um dom, uma dádiva de Deus para seus filhos.

O salvo em Jesus que crer e deseja o glorioso batismo, deve busca-lo com sede, em oração (At 1.4,14; Jo 7.37-39; Lc 11.13). Adorando a Deus com perseverança. Louvando sempre a Deus. Bendizendo ao Senhor. Alegrando-se em Deus.

Assim fizeram os candidatos antes do derramamento do Espírito, no dia de Pentecostes (Lc 24.52,53). Vivendo em obediência à vontade do Senhor (At 5.32). Para você que busca o batismo, há alguma área da sua vida não submissa totalmente a Cristo?

Concluímos este artigo afirmando que, o batismo com o Espírito Santo é para todos crentes dos nossos dias, pois, Jesus continua batizando com o Espírito Santo em todas as partes do mundo onde sua vontade é aceita, e o falar em línguas, a sua evidência inicial.

 

 

Referência Bibliográfica

BERGSTEN, Eurico. Teologia Sistemática. 7ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

OLIVEIRA, Raimundo de. As Grandes Doutrinas da Bíblia. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

SILVA, Severino Pedro. A Existência e a Pessoa do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

SILVA, Walber M.C. et al. Livro n° 17 Pneumagiologia - IBADEB. Brasilia: Gráfica COMEPE, 2019.

 

 

 

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Wálber Michellon Costa da SilvaProfessor e Consultor Teológico e Doutrinário do IBADEBEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Izidro Milton é pastor da Assembleia de Deus de Brasília – ADEB, Diretor do IBADEB - Instituto Bíblico da Assembleia de Deus de Brasília e professor universitário. É Bacharel em Teologia e Graduado em Filosofia e Pedagogia. Pós-graduado em Ciências da Religião e Psicologia da Educação e Mestre em Ciências da Educação pela UEP/UFRN.

Comentários em O Batismo no Espírito Santo

charles jhonis freitas da silva
charles jhonis freitas da silva gostaria de usar esse estudo para os nossos irmãos em nossa igre 2 meses atrás
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charles jhonis freitas da silva
charles jhonis freitas da silva igreja* 2 meses atrás
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Wesley Silva
Wesley Silva me envia seu email 2 meses atrás
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