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O Cristão e o Mundo

O Cristão e o Mundo

De nada adianta o título de cristão se a pessoa não demonstra uma vida santa diante de Deus e dos homens. Todo crente precisa separar-se do mundo para viver uma vida totalmente controlada pelo Espírito Santo. Deus é santo, e exige de nós santidade. Ser santo é estar separado das concupiscências desta vida. Satanás, o “príncipe deste século” (Jo 12.31; 1Jo 5.19), tem disseminado seus maléficos valores através das falsas filosofias, heresias, e da nova moralidade, a fim de embaraçar o crente com as coisas deste mundo, dificultando ou impedindo sua íntima comunhão com Deus.

Romanos 12.2; 1 João 2.15-17

 

I. UMA CULTURA MARCADA PELO MUNDANISMO

1. Cultura e os valores mundanos. Segundo os dicionários, cultura é o “conjunto das realizações materiais, filosóficas e espirituais de uma sociedade”. Ela compõe a visão de mundo de um povo, de uma época, e de um grupo social organizado. A cultura e a cosmovisão de uma sociedade não cristã são opostas aos valores ensinados pela Palavra de Deus. Por isso, o cristão deve discernir, julgar, avaliar e confrontar os valores ensinados pela sociedade de nosso tempo com os princípios expostos na Palavra de Deus. Tudo o que for contrário às Escrituras deve ser rejeitado e rechaçado pela Igreja.

2. A cultura e a Queda. O homem é um ser capaz de produzir cultura. Antes da Queda, os princípios apreendidos e desenvolvidos pelo homem eram subordinados aos padrões morais, éticos e sociais estabelecidos pelo próprio Deus. Portanto, nessa época, a cultura refletia a imagem moral de Deus no homem (Gn 1.27-31; 2.15,16,18-24). Com a entrada do pecado no mundo, não apenas a criação foi afetada, mas também a natureza moral e ética humana. Consequentemente, toda a produção intelectual e cultural da humanidade ficou condicionada à desobediência e rebelião contra Deus (Gn 3.17-19,21,23; 4.7,19,23). Uma sociedade dominada pelo pecado, só pode produzir uma cultura contrária aos princípios da Palavra de Deus.

3. O cuidado com as adaptações culturais. Embora sejamos influenciados pela cultura do nosso povo desde o nascimento, a Bíblia adverte-nos do perigo de nos tornarmos “amigos do mundo” (Tg 4.4 ). Os princípios registrados nas Sagradas Escrituras são absolutos e, portanto, não podem ser submetidos aos caprichos de uma sociedade permissiva. A Igreja de Cristo não luta apenas contra a cultura e os valores mundanos, mas contra as potestades malignas que gerenciam e promovem a maldade, a licenciosidade, a permissividade, a inversão de valores, a injustiça, entre tantas outras mazelas (Ef 2.2; 6.12). Infelizmente, alguns falsos mestres por meio de seus ensinamentos, têm legitimado muitos costumes pecaminosos na igreja, e há os que são coniventes e se negam a condená-los (2Pe 2.1-3,10-19; Jd vv.4,16-18).

 

 

II. O MUNDANISMO NA SOCIEDADE

1. Nas leis. Um dos propósitos da lei é regular o relacionamento entre os homens, possibilitando a ordem e o desenvolvimento da sociedade civil. As leis não são maiores que os homens, mas foram constituídas para que seus direitos e deveres sejam respeitados. Atualmente, em nosso país, muitos projetos de lei têm sido apresentados com o objetivo de justificar certos comportamentos contrários à Palavra de Deus, tais como o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

2. Na educação. A educação secular tem como fundamento o naturalismo, o humanismo, o pluralismo, entre outros “ismos” contrários à Bíblia. Da Educação Infantil ao ensino superior, os valores cristãos são contestados, algumas vezes, ridicularizados, e não poucas, ignorados. As teorias empregadas por algumas instituições são fundamentadas no ateísmo, antropocentrismo e no relativismo moral. Os livros didáticos costumam priorizar o evolucionismo e a autonomia espiritual e moral do homem. Muitas dessas escolas são conhecidas pela excelência e qualidade, entretanto, suas filosofias são contrárias a Palavra de Deus. A prioridade delas não é a formação do caráter segundo os princípios divinos, mas capacitar o educando para o mercado de trabalho, levando-o a ser mais competitivo numa sociedade que prioriza o ter em vez do ser.

3. Na família. A estrutura familiar no mundo está em processo de mudança. Nada se parece com o que Deus instituiu no princípio. O que vemos hoje é a banalização do divórcio, a infidelidade conjugal e a possibilidade legal de casais homossexuais adotarem crianças e a ideologia de gênero. Isso é um atentado contra os alicerces familiares fixados por Deus.

4. No entretenimento. O lazer e o entretenimento saudáveis, na medida certa, não são prejudiciais à vida espiritual. Porém, as práticas mundanas de diversão, por meio das quais as pessoas praticam toda forma de pecado, constituem um sério problema para a vida social e cristã. Atualmente, o mundanismo corrompeu até mesmo o lúdico e o entretenimento, sendo o divertimento uma ocasião para a bebedeira, a violência, as drogas e a prostituição.

 

 

III. “NÃO AMEIS O MUNDO” (1Jo 2.15-17)

1. O que significa “amar o mundo”? Amar o mundo é estar em estreita comunhão com ele, dedicando-se aos seus valores, costumes e cultura. Em outras palavras, é ter satisfação nas coisas que desagradam a Deus e ofendem os princípios das Sagradas Escrituras. Esse pernicioso sentimento impede a comunhão do crente com o Senhor (1Jo 2.15). É impossível amar o mundo e a Deus ao mesmo tempo (Mt 6.24; Lc 16.13; Tg 4.4).

2. Aspectos do mundo pecaminoso. Em 1 João 2.16, a Bíblia descreve três vias que conduzem o crente ao mundanismo:

a) “A concupiscência da carne”: Diz respeito aos desejos impuros, a busca de prazeres pecaminosos, e a satisfação dos sentidos (1Co 6.18; Fp 3.19; Tg 1.14).

b) “A concupiscência dos olhos”: Refere-se ao desejo incontrolável pelas coisas mundanas que satisfazem à cobiça do homem (Êx 20.17). Aqui estão incluídas a pornografia, a violência, a impiedade e a imoralidade promovidas pelo teatro, televisão, cinema, mídias sociais e em certos periódicos (Gn 3.6; Js 7.21; 2Sm 11.2; Mt 5.28).

c) “A soberba da vida”: Diz respeito ao orgulho do homem pecador que não reconhece o senhorio de Deus. Tal pessoa procura exaltar, glorificar e promover a si mesma, julgando-se independente de tudo e de todos (Lc 11.16-21;

Tg 4.14-16).

 

 

IV. “NÃO VOS CONFORMEIS COM ESTE MUNDO” (Rm 12.2)

1. O que é conformar? O verbo “conformar”, no original, significa “ser modelado de acordo com um padrão” e refere-se à constante imitação de uma atitude ou conduta até que a pessoa se torne igual ao modelo. Neste versículo, a Bíblia ensina que o crente deve resistir, combater e não imitar os padrões de comportamento, a cultura e os valores mundanos, pois a igreja não é apenas separada do mundo, mas consagrada a Deus. Seu comportamento reflete a vontade e a natureza de Deus para a humanidade.

2. “Mas transformai-vos…”. Na Bíblia, a mente renovada é fruto da atuação do Espírito Santo (2Co 3.18; Ef 4.23). O crente de “mente renovada” pelo Espírito é capaz de discernir a perfeita e agradável vontade de Deus para a vida diária. Ele não se confunde e não se molda aos padrões e valores mundanos, pelo contrário, sabe o que agrada ou não a Deus. Neste texto, a razão iluminada pelo Espírito sobrepõe-se às emoções e inclinações naturais. O processo de renovação do entendimento do crente deve ser contínuo e pessoal.


 

CONCLUSÃO

O crente que busca uma vida santa não pode se conformar com as coisas deste mundo. Observemos que as concupiscências estão associadas à falta de conhecimento legítimo do que é útil, real e necessário para se ter uma vida que agrada a Deus. Só cai em concupiscência quem perdeu a visão do Reino de Deus, e fixou seu olhar nas ilusões passageiras desse mundo. A separação do mundo é o princípio da vida cristã autêntica e vitoriosa.

 

 

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Pr. Izidro OliveiraDiretor do IBADEBEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Izidro Milton é pastor da Assembleia de Deus de Brasília – ADEB, Diretor do IBADEB - Instituto Bíblico da Assembleia de Deus de Brasília e professor universitário. É Bacharel em Teologia e Graduado em Filosofia e Pedagogia. Pós-graduado em Ciências da Religião e Psicologia da Educação e Mestre em Ciências da Educação pela UEP/UFRN.

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